quinta-feira, 24 de julho de 2008
Sensacional
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Cuca Complicada

quinta-feira, 19 de junho de 2008
Ócio
O pulso parou sensivelmente.[Aline Sampin
-Ilustração: Aline Sampin.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Meu Jogo
Eu queria, ainda, um resto do que vem.
Vender o nada que me cabe da sombra que me cobre.
Ter a visão distorcida por uma bolha de sabão.
Comprar a bolha por apenas um vintém.
Das folhas da árvore me vestir e me sentir nobre.
Ter meu mundinho me protegendo de qualquer não.
Mais ainda, eu queria ter a tua companhia.
Tê-lo preso, por tua vontade, ao meu lado.
Aperfeiçoar, o que é perfeito, tua nobreza.
Enfiar-te em mais uma bolha que surgiria.
Vigiar, como um tesouro, teu olhar apaixonado.
Trancar, a sete chaves, no meu peito, tua pureza.
Queria, em fim, caminhar por sobre a mesa.
Admirar este meu encantador jogo de tabuleiro.
Jogar o pequeno dado de única face.
Ganhar de minha rival a realeza.
Descobrir que não tem preço este meu reino,
E que minha adversária era meu insólito disfarce.
[Aline Sampin
domingo, 14 de outubro de 2007
Dom

Use minha vontade.
Nada de amor mimético, estético.
Me dê a rebarba, o defeito, o teu jeito.
Da tua pose covarde,
Faça um samba patético.
Da tua falsa coragem,
Faça um paço sintético.
Tropece, disfarce, invente, seja meu,
Minha nota de bamba,
Meu malandro de rua,
Tudo que a vida roeu,
Todo meu dom de ser tua.
[Aline Sampin
- Ilustração: Aline Sampin
sábado, 4 de agosto de 2007
Anônimo
Silêncio, silêncio.
Na minha nuca, olhos me fitam.
Me seguem, mas não vou me virar.
Sinto o calor de um suspiro,
Muito úmido, mas não quero olhar.
O anônimo me soa como mito,
Porém, no mesmo rito, eu me nego.
Anônimo talvez por medo ou desapego.
Incógnita, enigma, charada.
Embora a curiosidade reja,
Até que aprecio alongar meu desespero.
Quem sou eu pra ter alguma resposta.
Não sou ninguém pra pessoa as minhas costas.
Meu anonimato é bem mais relevante.
Sou incógnita muito mais constante,
Perene de meu mundo.
Oh! Meu cavaleiro onipresente virtual
Me socorre desta rede de intrigas digitais.
Me apanhe em seu cavalo de tróia!
Tenho um presente grego no meu colo.
Se debruce sobre meu ombro,
E veja que rara jóia,
Um órgão naturalmente solo
Sem afagos, um verdadeiro escombro.
O que sobrou da pequena máquina
Intimamente infectada pelo teu
Silêncio, silêncio, silêncio...
[Aline Sampin
- Ilustração: Aline Sampin.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Perdôo-te tua cor, nega

-ilustração: Aline Sampin
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Prazer

Principio de um desentendimento.
Um particular a dois
Afastamento do resto do mundo Sensorial,
Sem sentido de ser.
Dentes se esbarram num sorriso
Duradouro por crescer.
Motivo sincero para um abraço
E mãos que começam a descer
Por um caminho desconhecido,
Ou ao menos por esse ponto de vista.
De dois corpos que já não vestem mais nada.
De dois copos, de dois sopros de vida.
De berros uníssonos, suspiros, ar.
Contrações simétricas do par,
Que contam o que a boca não pode falar.
Não pode gemer e já não pode gritar.
Já não se permitem amar longe.
[Aline Sampin
quinta-feira, 13 de julho de 2006
Perfil Contraditório
Não pro mundo
porque eu vivo nele.
Viro a cara pra realidade
Que espanca, que invade.
Formas paradigmáticas inexatas,
invadem os sonhos dos normais,
e fazem sangrar nossa civilidade.
A sociedade está infectada por seres psicopatas, filhos de mães encabuladas, herdeiros de pais etnocentristas, logocentristas, sociopatas...
Mas eu vivo, eu sobrevivo.
Permanecerei nesse estado lateral, enquanto houver recursos para tal. Perdão pelas palavras fortes, só o gesto diria por si. Mas resolvi me contradizer... só por hoje.
[Aline Sampin
Infância de Joana

Suspensa por um balanço
Joana permanece
Durante o dia,quando anoitece,
Durante toda vida.
Essa mesma que lhe entristece.
Joana não quer comer.
Nem comida, nem besteiras.
Joana quer o balanço.
Quer o ar e a mangueira.
Leva a vida por essas cordas
Que balançam o seu sonhar.
Quer o vento no sorriso.
Joana pensa em calar.
E cala por um momento
Longo e tenso de crescer.
De entender que a infância,
Os primeiros passos de uma vida,
Passa pra nunca mais.
Mas a brincadeira
A velha companheira,
Essa, o tempo não desfaz.
Joana cresceu.
Envelheceu.
E ainda brinca de viver.
[Aline Sampin
